O mistério da estação não finalizada na África do Sul

29 09 2018

Adrian M. Peterson

Por quase meio século, num período que começou após a II Guerra Mundial até quase a virada do século, a África do Sul viveu um longo e conturbado período político e de agitação interna. Durante este período complicado, marcado pela política do apartheid, o governo do país começou a construir duas grandes emissoras de ondas curtas; estações secretas voltadas à cobertura nacional e internacional mas que nunca foram completadas.

Uma dessas estações, a maior das duas, foi instalada em uma região isolada próxima à costa da África do Sul. A localização da outra estação, a menor, nunca foi revelada, embora possamos imaginar que seria no nordeste do país. Em 1989 começaram os trabalhos de construção delas.

A estação na costa oeste foi instalada em Langefontein, uma grande propriedade com um pequeno rio. Ao que parece a propriedade foi nomeada no período colonial por holandesesda família Lange. O nome holandês-africâner, Langefontein, pode ser traduzido como Fonte Longa.

A fazenda Langefontein faz parte de um enclave militar a uma hora ao norte da capital, Capetown. Uma cidade pequena com o mesmo nome cresceu anexa ao complexo militar.

O plano original para essa grande emissora em Langefontein incluiria 11 transmissores de ondas curtas de 100 kW cada, junto com a instalação de diversas antenas para cobrir tanto o país como no continente africano e áreas adjacentes. Inicialmente nove transmissores foram disponibilizados.

Entretanto os planos não saíram em conformidade, e apenas oito dos transmissores foram instalados e um nono ainda na caixa nunca foi instalado. Todos os oito transmissores de ondas curtas, Thomson modelo SK51C3-3P foram instalados em 1991.

Todos os oito transmissores foram ativados e testados em uma carga fantasma, ou seja, nenhum sinal foi detectado por radioescutas mundo afora. Nenhum dos testes utilizou os sistemas de antenas construídos na fazenda Langefontein.

O projeto foi completado em 1992 e então paralisado. Com a derrocada do apartheid por meio de negociações entre os opositores, a emissora não foi mais necessária. Consequentemente, o governo sul africano contratou a Sentech para desmontar a estação e armazenar os equipamentos.

Alguns dos transmissores foram instalados em outros pontos da África do Sul, e os que ainda estavam encaixotados foram transferido para Meyerton para posterior instalação em duas bases para levar ao ar a programação da Rádio África do Sul e os quatro que estavam em Langefontein foram desinstalados e enviados à ilha de Guam. Os transmissores ainda encaixotados também acabaram sendo enviados depois a Guam.

A estação em Langefontein não existe mais. Recentemente o governo do país passou a estudar a possibilidade de instalar geradores eólicos de eletricidade na fazenda. Entretanto, a propriedade também foi posta à venda.

O que aconteceu à pequena estação militar em um local não informado que foi construída em paralelo com a da fazenda Langefontein? Ela tinha por objetivo atender os mesmos propósitos de uma estação na costa oeste, mas neste caso mais com propósito emergencial em caso de interrupções em Langefontein.

O trabalho estava avançado para abrigar os quatro transmissores de 100 kW; eles chegaram a ser comprados, mas nunca instalados. O que aconteceu com as instalações da estação é desconhecido. Talvez alguém saiba mais detalhes e possa ajudar com os detalhes perdidos desta estação de ondas curtas misteriosa.

E os cinco transmissores enviados a Guam? Bem, esta será uma história para um próximo artigo.

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Rádio Cidade – Pato Branco/PR

27 09 2018

Esta foi mais uma entre tantas emissoras de ondas médias que confirmei e não duvido que em breve migre para a faixa de FM, o que praticamente inviabilizará novas oportunidades de escuta.





Rádio Nacional – Rio de Janeiro/RJ

25 09 2018

Uma das emissoras brasileiras de ondas médias mais tradicionais ainda em operação não podia ficar de fora do nosso acervo de identificações. Ela tem sintonia bastante razoável no período noturno durante o ano inteiro.

A Rádio Nacional foi captada em Sorocaba/SP na frequência de 1130 kHz conforme áudio abaixo:





Explorando frequências baixas

23 09 2018

George Karayannopoulos

1,2 kHz: Rádio das cavernas. Este é realmente o porão do rádio! Espeleólogos (exploradores de cavernas) usam beacons nestas frequências para marcar posições. Comunicações em CW também são suportadas. Outras frequências, abaixo de 200 kHz, também são usadas.

3 – 20 kHz: Rádio Natural. Ondas de rádio geradas por fenômenos naturais podem ser encontradas em todas as faixas. Quem nunca ouviu a chegada de uma tempestade na forma de estática em um rádio AM? O que faz dessa faixa especial, entretanto, são os tipos de “sinais” que podem ser ouvidos: murmúrios, cliques, assovios, chiados. Alguns praticantes do nosso hobby dedicam tempo integral a essas frequências, estudando os sons ouvidos. Teorias sobre o que gera esses sons foram desenvolvidas com base em tais estudos. As pesquisas sobre esses excitantes fenômenos radiofônicos continuam.

10 – 14 kHz: OMEGA. Este é um sistema mundial de radionavegação baseado em oito transmissores. Posições podem ser determinadas pela medição de diferenças de fase entre os sinais que chegam dos diferentes transmissores. A precisão deste sistema é limitada comparada com outros, especificamente o GPS. 20 kHz (e também 60 kHz nos Estados Unidos) também são usados por estações de sinais horário e frequência padrão. A mais famosa é a WWVB, de Boulder, Colorado, uma das estações de sinais horários  do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST). Existem outras emissoras do gênero, mas em frequências diferentes dos 20 kHz.

90 – 110 kHz contém o sistema LORAN (Auxílio à Navegação à Longa Distância), um sistema de radionavegação para uso marítimo e aeronáutico. Depende de uma série de transmissores de alta potência sintonizados em 100 kHz e transmitindo sinais especiais. Diferentemente dos beacons não direcionais, as posições via LORAN são determinadas pela diferença no tempo de chegada dos sinais entre os múltiplos transmissores.

148,5 – 283,5 kHz é uma faixa em que emissoras de radiodifusão de alguns países podem ser encontradas. Geralmente trata-se de programação doméstica em AM. Algumas utilizam transmissores muito potentes e foram captadas no mundo todo. (OK, não é Dexismo Utilitário, mas pode render algumas captações interessantes quando você estiver buscando beacons. 🙂

160 – 190 kHz: Faixa LOWFER. Esta faixa foi reservada pela FCC para transmissões com baixa potência e sem necessidade de licença. O uso de transmissores caseiros é permitido, bem como para comunicação simplex (a maioria em CW), assim como beacons.

160 – 190 kHz: Rede de Emergência por Onda Terrestre dos Estados Unidos (GWEN) pode ser encontrada aqui. Trata-se de uma rede criada para fornecer comunicações na eventualidade de ataque nuclear, valendo-se dos efeitos relativamente pequenos de tais eventos na propagação em ondas longas. RTTY encriptado parece ser o modo mais usado.

190 – 435 kHz: Beacons não direcionais (NDBs). Conforme o nome sugere, esses transmissores irradiam um sinal único em todas as direções para auxílio à navegação. O que é único sobre esses sinais é que enviam a identificação continuamente, a maioria 24 horas por dia, sete dias por semana. Este é realmente o sonho de qualquer Dexista, pois nenhum outro meio transmite a identificação com tanta frequência. Para o navegador em busca de uma posição ou rota, isso pode ser uma verdadeira bênção. Tudo que o navegador precisa fazer é sintonizar algumas dessas transmissões (de identificação e localização conhecida), procurar a direção e a partir disso calcular a posição. Para o ouvinte de ondas longas, os beacons são uma bênção também. Eles estão lá, transmitindo a identificação dia e noite, apenas esperando para serem captados. Os caçadores de beacons investem horas na busca de novas escutas ou verificando os já familiares.

415 – 505 kHz: Serviço móvel marítimo. Os Dexistas Utilitários podem encontrar tráfego em CW. 500 kHz é a frequência de chamada de emergência. Há pouco tempo atrás as autoridades dos Estados Unidos anunciaram que o monitoramento dos 500 kHz não será mais obrigatório. A faixa tem experimentado considerável queda de tráfego conforme as comunicações por satélite ficam mais populares entre as embarcações. Também são usadas para comunicações militares, especialmente com submarinos.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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Rádio Brasil – Campinas/SP

21 09 2018

Esta foi mais uma emissora que tentei confirmar no passado, inclusive quando ainda transmitia em ondas tropicais, e que graças ao envio do PPC obtive o devido retorno.

 





Rádio Banda 1 – Sarandi/PR

19 09 2018

As emissoras que operam em ondas médias a partir do norte do Paraná não são de sintonia muito fácil por aqui. Trata-se de uma captação inédita a somar para este acervo.

A Rádio Banda 1 foi captada em Sorocaba/SP na frequência de 1090 kHz conforme áudio abaixo:





Rádio México Internacional

17 09 2018

Embora não seja um país que teve uma quantidade muito expressiva de emissoras em ondas curtas, o México teve em alguns casos presença com bastante longevidade. A outra emissora conhecida do país (Radio Educación) transmite até hoje, embora a sintonia no Brasil não seja fácil.