DX Camp em Garopaba

10 11 2011

Tudo começou após um convite do colega Anderson Torquato… Depois de uma passagem não muito frutífera por Garopaba há quase dois anos, persistia a vontade de poder ouvir e posteriormente reportar as FMs caribenhas que tanto são ouvidas por colegas da Região Sul. Bastaram alguns poucos emails para acertar os detalhes da viagem e comprar a passagem de avião.

Dentre as principais diferenças com relação a minha primeira passagem por lá estavam o fato de poder levar uma antena específica para FM (Proeletronic PQFM-1000) e ter em mãos um conversor que permitia, em conjunto com o meu SDR, gravar até dez transmissões na faixa de FM de uma só vez (2 MHz).

Na véspera, após um cansativo plantão voltei para Sorocaba e por volta das 02:00 já estava na cama tentando dormir. Sim, pois por conta da ansiedade da viagem o meu sono não foi dos melhores. De qualquer forma, às 04:00 do dia 09/10 estava de pé pois precisava fazer as malas e tentar sair o mais breve possível pois meu voo partia de Guarulhos às 11:00. Fiquei preocupado quanto a possibilidade de deixar alguma coisa em casa, pois o cansaço era grande.

Às 06:30 começou a minha viagem à São Paulo. Dentro do tempo esperado já estava no Terminal Rodoviário Barra Funda. Precisava ir até o guichê do Airport Bus Service (que fica no final do corredor das empresas) comprar meu bilhete para ida até Guarulhos, mas aí comecei a sofrer… Estava com uma bolsa com 15 kg, a antena da Proeletronic e uma mochila com aproximadamente 5 kg e tinha como bônus um calor que fazia com que carregar a bolsa fosse uma tarefa nada agradável. Para piorar, estava com dúvida quanto ao peso da minha bagagem (o limite é 23 kg). Antes de comprar a passagem tive de passar na farmácia da rodoviária para conferir o peso. Resultado: suor e cansaço logo no estágio inicial da viagem. Pelo menos não estourei o limite de peso. Se já estava sofrendo com 15 kg, o que seria de mim se estivesse com os 23 kg? 🙂

Embarquei no ônibus com destino à Cumbica e o cansaço acumulado levou-me ao primeiro cochilo. Em menos de uma hora já estava no aeroporto e felizmente livre do peso da bagagem (carrinho salvador!). A pior preocupação da viagem estava por vir. Como a gôndola da antena tem cerca de dois metros e não tinha nenhuma proteção além da embalagem plástica, comecei a pensar que teria dificuldade para despachá-la. Lentamente o check-in avançou e para o despacho em si não tive nenhum problema, mas tive que assinar uma declaração de embalagem inapropriada e que havia risco de dano na minha bagagem. Da minha janela pude ver a antena no carrinho de bagagem rumo ao respectivo compartimento do avião. Infelizmente não me restava nada mais que torcer para a antena chegar inteira em Florianópolis.

Voo extremamente desconfortável. Turbulência do início ao fim e pouso apenas na segunda tentativa. Por conta disso o serviço de bordo limitou-se aos assentos dos extremos do avião. Para os demais ficou disponível no desembarque.

Saindo de São Paulo e já com a presença das formações que tornariam a viagem tão desagradável:

Chegada em Florianópolis:

Primeira tentativa de pouso. O estádio em azul é a Ressacada, onde o Avaí manda seus jogos.

Fiquei bastante irritado, pois a necessidade de nova tentativa de pouso fez com que o voo demorasse mais e eu queria estar em terra o quanto antes, afinal uma longa jornada ainda me aguardava. Apesar disso tive a oportunidade de capturar uma bela imagem antes do pouso. Infelizmente não consegui evitar a presença da winglet.

Enfim, o pouso:

A máquina que me trouxe até Florianópolis:

Após o desembarque começou a expectativa quanto ao estado da minha antena. Felizmente, nenhum dano. Peguei um táxi e em poucos minutos estava na rodoviária de Florianópolis. Novo sofrimento com o peso da bagagem. O guichê da empresa Paulotur ficava longe do local do meu desembarque. O calor estava mais intenso que em São Paulo e o abafado era implacável. Mais cansaço e espera de mais de uma hora até a chegada do ônibus com destino à Garopaba. Aproveitei para fazer um lanche e descansar. A aventura estava longe de acabar…

Ponte Hercílio Luz:

Cansaço por conta do peso da bagagem, das poucas horas de sono, do plantão do dia anterior, calor, torpor. Mal registrei a foto acima e literalmente desmaiei. Quando a viagem estava próxima do fim, na cidade de Paulo Lopes tomei um susto imenso com o som de um estouro. Era o pneu do ônibus. Aos poucos meus planos de erguer a antena com a presença do Sol iam por água abaixo. Depois de algum tempo parado, o ônibus seguiu lentamente pelo acostamento da BR-101 até um posto. Por ironia do destino, Posto Sorocaba. Infelizmente não havia borracheiro no momento. Novamente seguimos lentamente até o próximo posto. O som metálico ao final do trajeto fazia com que todos sentissem bastante apreensão.

Ao chegar no posto havia borracheiro, mas o ônibus não tinha estepe. Ouvi infindáveis críticas ao serviço de tal empresa e pelo pouco que passei vejo que a rotina de quem viaja por tal empresa é estar não raro em ônibus velhos e mal conservados. A chegada do socorro demoraria horas e a nossa sorte foi o fato de um motorista morar naquela região.

Consegui chegar em Garopaba apenas por volta das 18:00. O Anderson estava esperando por mim. Mal cheguei e apesar de já ser noite começamos a montar a antena da Proeletronic. Infelizmente a Tep não durou mais que dez minutos. Não cheguei a me queixar, pois o cansaço era muito grande. Em pouco tempo estaria dormindo.

Acordei no dia seguinte bastante tarde e após o almoço comecei a reportar emissoras que deixei de lado em minha primeira passagem por Garopaba. No meio da tarde recebi a visita do colega Fábio Matos. Excelente bate papo sobre variados assuntos, desde questões relacionadas ao funcionalismo público às relacionadas ao nosso hobby, claro. Outro aspecto positivo é que consegui fazer a unidade MP3 do Degen DE1121 do Anderson voltar a funcionar. Pena não ter muito o que gravar, pois a Tep foi pífia.

Felizmente o terceiro dia reservou muito mais alegrias que as noites anteriores. Além das caribenhas, tivemos a oportunidade de captar algumas emissoras do Nordeste. No final da noite recebemos a visita do Fábio e provamos um excelente cachorro-quente. O dia seguinte reservaria mais alegrias, mas poucas escutas.

Escutas estampadas na alegria dos Dexistas:


Ivan, Anderson e Fábio:

Meu retorno começava estava próximo. O quarto dia começou com um excelente churrasco capitaneado pelo Fábio, que veio com sua esposa prestigiar nosso almoço. Ela inclusive foi responsável pela compra de uma iguaria que eu simplesmente adoro e deu um toque a mais de sabor ao churrasco: molho chimichurri.

Da direita para a esquerda: Ivan, Fábio e sua esposa

Aproveitei e tirei fotos da minha antena e da utilizada pelo Anderson:

Todos de barriga cheia e fomos até Tubarão visitar o colega Fabrício Silva. Foi um prazer imenso ter conhecido um colega com o qual já mantinha contato há um bom tempo pela internet. Sua coleção de QSLs é um show à parte. O Anderson não perdeu a oportunidade e entrevistou o Fabrício. Em breve o material será publicado.

Fabrício, Anderson e Fabrício:

Fabrício e sua antena loop blindada:

Fábio, Ivan e Fabricio:

Anderson entrevistando o Fabrício:

Panorâmica do terraço do QTH do Fabrício:

Além de praticamente concluir a varredura do espectro em busca de emissoras da região não reportadas, à noite visitei junto com o Anderson a Rádio Frequência, que transmite em 1380 kHz e não raro pode ser ouvida em Sorocaba. À noite, mais uma excelente abertura para o Nordeste e novas escutas de FMs do Caribe.

Estúdio da emissora durante a apresentação de um programa esportivo:

Estúdio de gravação da emissora:

Junto ao banner da emissora:

Chegou meu último dia em Garopaba! Levantei um pouco mais cedo para concluir a varredura do espectro regional e após o almoço visitei com o Anderson o local em que fica o transmissor da Rádio Frequência. Muita agitação nos aguardava…

Casa que abriga o transmissor de 1380 kHz:

Antena do link de microondas:

Transmissor de Ondas Médias:

Receptor do link de microondas e modulador:

Detalhe da saída de antena:

Antena de Ondas Médias:

Após o retorno de tal visita recebemos novamente o Fábio que veio para despedir-se de mim. Mais alguns minutos de bom papo e palavras de incentivo para dois colegas que moram em uma excelente região para o Dexismo em geral.

O restante da tarde foi dedicado à visita a várias praias de Garopaba. Paisagens de tirar o fôlego em mais um gostoso passeio de moto. Muitas imagens foram guardadas no meu acervo pessoal. Durante a noite tivemos a oportunidade de presenciar mais uma abertura para o Nordeste, com emissoras do Ceará, Maranhão e Piauí sintonizadas. Obviamente as caribenhas foram novamente ouvidas e quando pensávamos que a festa tinha chegado ao fim, ouvimos a Rádio Mágica, de Lima/Peru, em 88,3 MHz.

Mais uma noite de alegria:

Na manhã seguinte levantei com aquele clima de fim de festa. Por mim ficaria mais, mas deveres, compromissos pessoais e minha passagem já comprada diziam que era hora de ir. Após desmontar a antena e preparar minha bagagem comi meu derradeiro almoço, fui entrevistado pelo Anderson e já com saudade me despedi de sua família e fui embora.

Efetuei o retorno com bastante antecedência por receio de que algo pudesse acontecer no trajeto com o ônibus da Paulotur. Alguns livros que tinha em mãos e uma ligação para Sorocaba ajudaram a fazer a espera pelo vôo mais fácil de aguentar. O retorno foi bem mais tranquilo e sem turbulência. Por conta do horário de verão cheguei em casa por volta das 01:00, com muito cansaço inerente à viagem e com um HD de 1 Terabyte cheio de gravações do SDR para posterior escuta. Conforme houver o processamento delas seu conteúdo será disponibilizado no blog.

Considero esta uma das melhores viagens que já fiz com o propósito de ouvir rádio. Evidentemente há bate papo, mas o foco não é “piquenique dexista” e sim fazer boas escutas de emissoras distantes e que serão posteriormente reportadas.

Aproveito a oportunidade para deixar registrado meu agradecimento pela hospitalidade do Anderson e sua família, que durante uma semana teve paciência e demonstrou amabilidade única. É muito bom receber o convite de um Dexista para ir a sua casa com o propósito de ouvir rádio. Parece bobagem dizer isso, mas infelizmente conheço exemplos em que certamente esse não é o foco. Também fui embora feliz por saber que o Dexismo ainda pode servir como ferramenta para obtenção de excelentes amizades.

Para encerrar deixo aqui meu agradecimento a um amigo que no início foi meio carrancudo comigo, mas que no último dia da visita estava tão acostumado com a minha presença quanto o restante da família do Anderson. Com vocês, o Hulk!


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