A história da emissora TI4NRH

29 07 2012

Don Moore

Há alguns verões atrás tive a oportunidade de viajar com a minha esposa a Costa Rica por três semanas e um dos meus objetivos foi coletar o máximo sobre a emissora TI4NRH, fundada por Amando Cespedes Marin. Vi várias menções a ela em artigos sobre a história do rádio e ainda que tenha deixado de existir há muitos anos eu esperava encontrar sua localização a partir de informações de moradores antigos da localidade. Com um pouco de sorte o prédio ainda poderia existir e renderia uma foto interessante.

As primeiras pessoas a quem perguntei ofereceram apenas dicas confusas, mas finalmente o dono de uma loja respondeu: “Oh, sim. Sua filha, Lydylia é uma grande amiga minha. Ela ainda mora na mesma casa, a duas quadras daqui. Há uma placa na porta.” Seria verdade? Desci apressadamente e encontrei a casa com uma palca comemorativa ao nascimento do rádio na Costa Rica. Após bater, uma senhora me atendeu. Aresentei-me e expliquei o interesse pela emissora. Ela estava de saída, mas convidou-me a retornar com minha esposa ao anoitecer.

Nós falamos sobre seu pai e a emissora por cerca de uma hora. Depois disso parece que passamos por uma espécie de teste. Ela abriu uma porta e nos convidou a entrar em um cômodo contíguo à sala de estar. Jornais antigos e caixas estavam espalhadas, a iluminação era fraca e havia uma leve camada de poeira sobre tudo. Ainda que a estação tenha deixado o ar há pelo menos cinquenta anos, tudo ainda estava lá – transmissores, microfones, informes de recepção e centenas de cartões QSL de radioamadores já amarelados fixados nas paredes. Um verdadeiro paraíso sobre a história do rádio.

Amando Céspedes Marin
Nascido em 1 de agosto de 1881 em uma pequena casa no centro de San José, acompanhou sua família para Puerto Limón, onde seu pai conseguiu um emprego na alfândega. Ele aprendeu Inglês na escola primária e começou a economizar dinheiro com aulas de Inglês a costarriquenhos e Espanhol a imigrantes jamaicanos, pois planejava viajar à Nova Iorque para visitar seus parentes. Como ele observou, “naquela época você não precisava de nenhum tipo de burocracia para entrar nos Estados Unidos”. Em pouco tempo ele economizou os 360 colónes para comprar uma passagem de navio à vapor e com apenas onze anos de idade estava à caminho de Nova Iorque, sozinho, para tentar a sorte. Lá ficou sabendo que todos os seus parentes tinham mudado e ninguém sabia o destino deles. A sorte brilhou quando um casal americano decidiu ficar com ele para ensiná-lo a ser, em suas palavras, um “pequeno cavelheiro”.

Em Nova Iorque Amando continuou a trabalhar como professor de Espanhol durante o dia e frequentava a escola à noite. Posteriormente trabalhou com um caixeiro-viajante. Por vários anos viajou pelos Estados Unidos e Canadá. Então, um dia seu chefe viu a Costa Rica no mapa e disse: “Nós nunca vendemos nada nesse país. Prepare-se para ir lá.”

Várias semanas depois Amando chegou em Puerto Limón. O menino, agora um adolescente, mudou tanto que num primeiro momento sua família não o reconheceu. Mas a família não era a razão da visita; Amando trouxe consigo um carrossel à vapor. Nada parecido jamais tinha sido visto naquele pequeno país. Na primeira noite o faturamento foi de 3000 colones. Em poucos dias não havia sequer um morador da cidade que não a tivesse visitado. Amando a levou para San Jose, onde também foi um sucesso instantâneo. Em poucos dias um homem de negócios local comprou dele o carrossel por dez mil dólares. Amando comprou outra passagem para os Estados Unidos para pagar seu chefe. Na verdade ele não esperava seu retorno. Olhando nos olhos do jovem empresário ele disse: “Eu nunca dei nada a você. Os dez mil dólares são seus.”

Repentinamente rico, Amando perseguiu outro de seus vários sonhos: se formar na Escola de Fotografia de Illinois, em Effingham. Ele aprendeu bem o conteúdo e em 1901 abriu uma loja de fotografia em Puerto Limon. Seu excelente trabalho prosperou e ele migrou para a área gráfica, sendo que foi o responsável pelo primeiro jornal de circulação nacional na Costa Rica. Em 1904 fez parte da delegação presente na Feira Mundial de St. Louis onde obteve uma medalha de prata na categoria fotografia.

Sempre um homem ligado à ciência, Don Amando era fascinado pela tecnologia e quando o cinema tornou-se popular nos Estados Unidos, comprou e exibiu o primeiro filme em seu país, no Teatro Variedades. Logo após adquiriu uma filmadora Kodak e produziu o primeiro filme da história do país, contendo a gravação de uma conferência no mesmo teatro. Posteriormente gravou a chegada do primeiro avião a Costa Rica, que, segundo suas palavras, “foi comprado pelo piloto por um bom preço”. Em Dezembro de 1911 casou com Rosita Arias e mudou-se com a família e a gráfica para a pequena cidade de Heredia, distante alguns quilômetros de San Jose.

O rádio

Don Amando estava sempre buscando algo novo para fazer e na década de 1920 o rádio era uma novidade. Comprou algumas revistas norteamericanas e em 2 de Novembro de 1923 construiu um receptor regenerativo de uma válvula. Suas noites eram acompanhadas pela escuta de estações como KSD, WGY, WSAI, WTAM, KFKX, KGO e CYB. Começou a enviar informes de recepção e seu primeiro QSL veio de uma emissora mexicana. Continuou a receber revistas de rádio norteamericanas e passou a construir receptores cada vez melhores. Por conta do interesse de outras pessoas em ouvir aquelas vozes tão distantes passou a construir e vender rádios. “Eu construí cerca de 800 receptores, que vendi a quem me pedisse. O interesse era tão grande que em um dia mais de 40 carros estavam estacionados em frente à minha casa, com seus donos procurando aparelhos de rádio”.

Don Amando sentiu a necessidade de transmitir e em Dezembro de 1924 construiu um par de transmissores de ondas médias usando válvulas 201 e manteve contato com um amigo distante 8 km. Alguns dias depois levou ao ar algumas gravações fonográficas e enganou alguns amigos que pensavam estar ouvindo uma estação norteamericana. Nos dois anos seguintes continuou a fazer experiências com equipamentos de ondas médias até que em Janeiro de 1927 passou a transmitir de forma regular com uma unidade de 5 W. A emissora, primeira da Costa Rica, não podia ser captada muito longe, então decidiu experimentar as ondas curtas na esperança de ser ouvido por fazendeiros distantes 160 km.

Seu transmissor de ondas curtas usava 6 válvulas com 7,5 W e media 25 x 20 cm. Em 4 de Maio de 1928 o novo transmissor de ondas curtas estava pronto para ir ao ar em 39 metros. “Tentei converter o transmissor de ondas médias para curtas e para melhor recepção coloquei um bambu com quinze metros como mastro de antena no telhado. Grande foi a surpresa quando minha esposa, Rosita, pode me ouvir à 10 metros de distância. Perguntei a ela: “Quantos ovos as galinhas botaram?” A supresa foi ainda maior quando uma carta chegou de Gatun, Panamá, dizendo que tinha ouvido exatamente tais palavras. Isso foi muito emocionante e então passei a me dedicar às ondas curtas”. Aquele informe, o primeiro a uma estação latinoamericana de ondas curtas, veio de Henry P. Karr, um cidadão norteamericano que vivia na zona do Canal do Panamá.

Algumas semanas depois ele recebeu um informe de Guayaquil, Equador, distante mais de 1900 km e, em 1 de Julho, um jornal de Havana mencionou a estação TI4NRH. Mais cartas passaram a chegar do Caribe, América Central e do Sul. A TI4NRH não foi captada nos Estados Unidos até que na edição de Outubro de 1928 da revista Radio News o Dexista Charles Schroeder, da Filadélfia, mencionou ter ouvido uma estação da Costa Rica, porém, sem identificação. Nessa época Don Amando trocara a frequência de 39 metros para 30. Dexistas norteamericanos passaram a “caçar” a emissora e em Dezembro de 1928 ela foi literalmente inundada por informes de recepção. Schroeder a identificou e enviou o primeiro informe de recepção proveniente dos Estados Unidos. Em reconhecimento, Don Amando construiu uma cadeira feita com madeira local para ele. Ela era desmontável para fácil envio e com instruções para montagem, uma prática rara naquela época. Enviada por correio marítimo, chegou em apenas 12 dias, de acordo com Schroeder.

 A cadeira ainda existe! Veja algumas fotos abaixo.

Mais cartas
Don Amando começou a receber cartas de muitíssimos países e até mesmo de navios. Às vezes recebia até cem cartas em um único dia. O Dexista J. M. Adair ouviu a TI4NRH na Base Naval de Guantánamo e escreveu: “Quando ouvi sua estação imaginei estar captando uma emissora da Arábia. Há uma certa semelhança na pronúncia de Heredia e Arábia”. Leo R. Schultis, de Richmond Hill, disse: “Fiquei maravilhado com o fato de você transmitir com apenas 7,5 W e 500 V na placa. Mantenha esse transmissor com você, pois ele é muito bom”. Henry Hart, de Wankie, Rodésia ouviu a TI4NRH à 01:00 (hora local) em 30 de Dezembro de 1930, enquanto não conseguia dormir por conta de uma dor de dente. Sintonizando seu receptor Pilor ele encontrou uma estação tocando música em Espanhol seguida por identificação em Inglês. Escreveu: Gostaria de agradecer pelo conteúdo da sua transmissão, pois ela fez eu até esquecer a dor de dente. Realmente me senti muito melhor…”

Don Amando também era Dexista e sabia do desejo dos praticantes do hobby por cartões QSL. Ele usou suas habilidades gráficas e em fotografia para produzir um dos mais belos cartões QSL já emitidos e o distribuiu aos milhares. Todas as cartas eram respondidas. “Nada é mais prazeroso para o Sr. Cespedes que receber correspondências da sua audiência. Uma simples carta sobre a emissora e programação será recompensada com um cartão ou uma longa carta”. O governo local percebeu a reputação altamente positiva para a Costa Rica que a TI4NRH estava ajudando a criar e em 19 de Junho de 1929 foi decretado que não haveria custo postal para as cartas enviadas pela emissora, pois seu trabalho era considerado um serviço diplomático. No final de 1939 a TI4NRH já tinha recebido, com pouco mais de onze anos de transmissões, mais de cento e dez mil cartas.

Os  ouvintes do mundo todo enviavam a Don Amando centenas de revistas e jornais. Os preferidos eram os que tinham artigos sobre a TI4NRH e sobre Dexistas que a sintonizavam. Não apenas revistas de rádio como Radio News, Radio Design e RADEX tinham materiais sobre a emissora, mas também jornais de grande circulação como o Pittsurgh Press, Boston Globe, Buffalo Evening News, Youngstown Vindicator, Syracuse Herald, Philadelphia Public Ledger e o Springfield News.

Ainda que o principal meio de sustento de Don Amando fosse a gráfica, a TI4NRH tornou-se a sua menina dos olhos. Apesar das obrigações familiares, ele sempre manteve horários de transmissão bastante regulares, mesmo com algumas mudanças pontuais. As transmissões eram geralmente de uma hora de duração, começando às 15:30 ou 15:45 UTC. Às vezes ocorriam no período noturno, em três noites por semana (terças, quintas e sábados). Cada transmissão começava com a “Parade of the Wooden Soldiers”, para facilitar a localização da emissora. Era bem captada em 31 metros, mas mudou de frequência diversas vezes. A TI4NRH possuia muitos ouvintes fiéis no mundo inteiro e ainda que a programação fosse simples (composta de música e pouca locução), ninguém achava seu conteúdo menos interessante). Era comum a filha de Don Amando e seus três filhos participarem. Seu filho caçula, Alvarito, fez sua primeira aparição com apenas 45 dias de vida chorando ao microfone.

Mesmo com as ondas curtas sendo sua principal paixão, Don Amando continuou transmitindo em ondas médias para cobertura local, e às vezes era inclusive captada por Dexistas. Um artigo no Chicago Daily News em 21 de Março de 1931 contou como F. Stetson, de Chicago, recebeu o primeiro QSL do novo transmissor de 75 W que operava em 948 kHz no dia 20 de Dezembro de 1930. A estação de ondas médias mudou de frequência várias vezes e foi levada a San Jose ao ser dada a um dos filhos de Don Amando.

Baixa potência
Quando Don Amando foi ao ar em 1928, a TI4NRH era a quinta emissora de radiodifusão do mundo a transmitir em ondas curtas e a primeira na América Latina. Entretanto, sua potência baixa não podia ser comparada com as quatro emissoras anteriores, pois a KDKA e WGY transmitiam com 50000 W, a Phillips (Holanda) com 40000 e a BBC, 30000. Ninguém acreditava que a TI4NRH transmitia com apenas 7,5 Watts. A Westinghouse enviou dois engenheiros da KDKA para confirmar a potência da TI4NRH e provaram que Don Amando estava errado – os engenheiros mediram apenas 5 Watts! Eles inclusive usaram o transmissor para chamar o escritório em Pittsburg e informaram os 5 Watts a 500 Volts. Após isso, o engenheiro da KDKA nomeou a estação sua pequena irmã. Don Amando retribuiu o favor chamando a KDKA de  sua grande irmã e retransmitia regularmente a programação da KDKA por meio das ondas médias.

Mesmo com a TI4NRH rendendo bem com baixa potência, muitos ouvintes pediam a Don Amando para aumentar a potência para que a emissora pudesse ser ouvida com mais facilidade. Ele pediu aos ouvintes contribuições para aquisição de novos equipamentos e, como a TI4NRH provou ser uma amiga dos Dexistas, a audiência correspondeu. Em pouco tempo conseguiu o suficiente para comprar os componentes para um transmissor de 150 W. Com maior assistência ele já transmitia com 200 W em 1933 e 500 W em 1938. O maior presente veio em 1938 quando, como Don Amando escreveu, “Aos 10 anos de NRH, o mundo celebrou o seu aniversário, de Berlin a Buenos Aires. Dexistas presentearam-me com uma torre de antena como reconhecimento pelos meus esforços.” O Presidente Cortés dispensou o pagamento dos impostos de importação da torre e organizou uma cerimônia a ser realizada ao final da sua montagem na casa de Don Amando. A banda militar tocou e o Presidente proferiu um discurso concedendo a ele um diploma especial.

Amigos famosos
Don Amando tinha facilidade para conhecer pessoas de destaque. Durante uma das expedições antárticas de Richard Byrd, Don Amando manteve contato via rádio com seus integrantes durante vários dias usando seu transmissor de 7,5 W. Na volta, o navio de Byrd ancorou na Costa Rica e a tripulação do Admiral fez uma visita à Heredia.

No meio da década de 1930, Don Amando e dois de seus filhos viajaram pela América Central e México para visitar alguns de seus amigos de rádio. Ao chegar na estação de trens da Cidade da Guatemala, o ouvinte Juan Guillen os pegou em um carro com chofer. Após um passeio pela cidade eles chegaram à residência do Sr. Guillen, o Palácio Presidencial. Quem era o Sr. Guillen? Na relalidade tratava-se do General Jorge Ubico, “el presidente”. Don Amando e seus filhos ficaram durante uma semana no palácio presidencial e em sua casa de campo. Pelo restante do tempo que estiveram na Guatemala foram acompanhados pela guarda de honra e recebidos como convidados de honra em muitas cidades. Por iniciativa do General Ubico, todas as despesas da viagem em território guatemalteco foram pagas pelo governo.

Alguns anos depois, Don Amando captou uma embarcação de pesca esportiva norteamericana chamando a partir das Ilhas Cocos. Ele interrompeu a comunicação e perguntou a eles quem dera permissão para pesca em águas costarriquenhas. A resposta veio em seguida: “Ninguém, pois não há ninguém aqui a quem pedí-la – apenas o atum e eu.” Quem falava era o Comandande Eugene Francis McDonald Jr., proprietário da Zenith Corporation. Eles continuaram a manter contato e uma amizade foi construída. O Comandante acabou visitando Don Amando em Heredia. Posteriormente ele escolheu Don Amando para publicar uma revista em Espanhol, a Cenit (Zenith), para promover o rádio e sua empresa na América Latina. Com o patrocínio da Zenith, Don Amando publicou a revista mensalmente pelo resto de sua vida. Ela era enviada gratuitamente a seus amigos e vários Dexistas da América Latina.

Os anos finais
Quando a II Guerra Mundial começou, Don Amando encerrou as transmissões. Ele estava com mais de sessenta anos e semiaposentado, pronto para perseguir outros interesses. Ele passou a ocupar muito do seu tempo com a criação de redes de correspondência entre pessoas na América Latina para contribuir com a amizade entre os povos. Seus esforços foram tão respeitados que na década de 1970 centenas de cartas foram enviadas para a Comissão do Prêmio Nobel em Oslo apoiando sua nomeação para o Prêmio Nobel da Paz.

Don Amando quis viver até os 100 anos e poderia muito bem ter chegado a tal idade, mas em 17 de Março de 1976 fez uma viagem pela costa do país para ver um eclipse. Lá contraiu uma gripe e três dias depois faleceu em sua casa. Entretanto, jamais foi esquecido. Em Heredia há uma rua com seu nome e o Rotary Clube local instalou placas alusivas aos seus feitos. Em 1981, ano que marcaria seu centésimo ano, recebeu a maior condecoração da Costa Rica, a de Benemerito de la Patria.

Ainda que Don Amando e a TI4NRH tenham deixado as ondas curtas, a memória da emissora segue viva. Sua estação de ondas médias em San Jose continuou sob administração de seu filho por vários anos e depois foi vendida e rebatizada com o nome de Radio Lira. Alguns anos depois ela foi vendida a Igreja Adventista, que a levou para Alajuela e gradualmente adicionou transmissores de ondas curtas. Hoje, a neta da TI4NRH, Radio Lira, é uma das principais estações internacionais da América Latina. Don Amando ficaria orgulhoso se pudesse testemunhar isso.

Artigo disponibilizado no site do Dexista Don Moore e traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.


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