Ouvindo ondas tropicais

22 04 2018

Michael P. Mahoney

Um das mais ignorados e intrigantes aspectos do Dexismo é a escuta das Ondas Tropicais. Muitas pessoas tem receio em praticá-la por conta dos problemas encontrados para entender os idiomas utilizados nesta faixa; outros nem mesmo sabem que ela existe! Isso é uma pena, pois quem a ignora perde a chance de ouvir a programação que reflete outras culturas muitas vezes não apresentadas por emissoras internacionais. Sem contar que, se você for um Dexista sério, tem quatro outras faixas para se divertir!

Estas quatro faixas são: a) a de 60 metros, onde a maioria das emissoras pode ser encontrada entre 4700 e 5100 kHz; b) a de 75 metros, entre 3950 e 4000 kHz; c) a de 90 metros, entre 3200 e 3400 kHz e a de 120 metros, entre 2350 e 2500 kHz.

Esse conjunto de frequências foi alocado para as regiões tropicais do planeta pela União Internacional de Telecomunicações, em Genebra, Suíça. Seguem os principais fatores que contribuíram para o estabelecimento das ondas tropicais: 1) a maioria dos países da zona Equatorial são subdesenvolvidos, então existe a necessidade de que algumas emissoras cubram regiões vastas; 2) uma vez que os países tropicais sofrem com alta incidência de tempestades elétricas durante o ano inteiro, tornando muitas vezes a transmissão em ondas médias inviável em diversas ocasiões; 3) as faixas internacionais de radiodifusão (25, 31 e 49 metros) já são altamente ocupadas mesmo sem a presença de emissoras domésticas; 4) Levando em conta que as frequências abaixo dos 6 MHz não são sempre confiáveis para transmissão a longa distância, as faixas tropicais parecem ser o lugar ideal para as emissoras que não buscam cobrir áreas maiores que 1000 a 2000 km e, em alguns casos com distância até mesmo menor.

Como as emissoras de ondas tropicais operam com objetivo de cobertura doméstica, diversos idiomas inexistentes fora delas pode ser bastante razoável. E, juntamente com a dificuldade de tentar entender o Espanhol e Português da América Latina, idiomas locais da África e Ásia, bem como os sotaque dos idiomas coloniais (Inglês e Francês) podem apresentar um grande desafio para o ouvinte. No caso de estações africanas transmitindo em Inglês o sotaque é realmente muito forte ou há até mesmo a presença de variantes dele existente em uma região em particular, tornando a compreensão bastante difícil.

Mas, para contrabalançar a barreira do idioma (e ao mesmo tempo ajudando o Dexista), mais e mais emissoras de ondas tropicais levam ao ar anúncios comerciais. E, uma boa parcela dos produtos anunciados são conhecidos dos consumidores norte americanos.

O maior número de emissoras desta faixa está concentrado em uma região, a América Latina. A maioria é de propriedade de entidades privadas, similar ao panorama da América do Norte. Sua manutenção vem totalmente da rendas dos anúncios. Isso fica bastante evidente quando uma emissora leva ao ar 18 comerciais em sequência!

A cena radiofônica na Ásia e África é um pouco diferente da América Latina. Quase todas as emissoras são de propriedade ou associadas ao governo dos países em que estão instaladas. Muitas delas são financiadas por taxas pagas pelos cidadãos do país ou subsídios dos governos. A radiodifusão comercial é bastante recente. Os melhores países para encontrar campanhas comerciais são: África do Sul, Rodésia, Moçambique, Suazilândia, Quênia, Malawi, Gana e Nigéria.

Na Oceania, todas as emissoras estão ligadas a governos. Embora a Austrália (e agora a Nova Zelândia) possua emissoras comerciais em ondas médias, as ondas curtas são reservadas à agências governamentais. Algumas das melhores emissoras da Oceania pertencem à Australian Broadcasting Commission. Há algumas poucas emissoras que levam ao ar anúncios, notadamente das Ilhas Salomão, Fiji e Nova Caledônia.

Agora que temos uma ideia do que são as ondas tropicais,  é importante falar sobre algumas formas de entrar em contato com as emissoras quando do envio de informes de recepção. Tente usar as diretivas abaixo para cada informe enviado:

  1. Tente enviar os informes no idioma ouvido ou na língua oficial do país da emissora;
  2. Seja mais explícito quando informar os dados da recepção, explicando as condições em palavras.
  3. Tente incluir nomes de músicas, se possível. Caso hajam anúncios, inclua os nomes dos produtos e patrocinadores. No caso de diversas emissoras latino americanas esta é a única forma de determinar se o Dexista ouviu determinada emissora ou não.
  4. Lembre-se que essas emissoras tem como alvo o público local. Muitas delas não têm condições de tratar um grande volume de correspondências de ouvintes do exterior. Ao menos um ou dois cupons de resposta internacionais (IRCs) devem ser incluídos com cada informe. Caso a emissora esteja em localidades muito remotas é recomendável o envio de selos do país de origem ao invés de usar IRCs, pois é bem provável que o correio local não esteja em condições ou mesmo não aceite recebê-los.
  5. Envie alguma lembrança ou cartão postal da sua cidade ou região junto com o informe. É um pequeno gesto de amizade e boa vontade.
  6. Acima de tudo, não exija da emissora uma confirmação. Um QSL é um favor da parte da emissora. Na radiodifusão em ondas tropicais, trata-se mais de um gesto de boa vontade, pois estão confirmando informes os quais nunca solicitaram e que possivelmente não tem utilidade.

Antes de encerrar, gostaria de ressaltar uma regra importante da escuta em ondas tropicais – esta faixa proporciona captações a longa distância sob total ou em condições próximas em caminhos sob escuridão. Então, para a África o final da noite/amanhecer  ou fim de da tarde/anoitecer. Para a Oceania e Ásia o amanhecer é a melhor opção. A América Latina pode ser captada do anoitecer ao alvorecer.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

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