A história da KSDA

15 09 2018

Adrian M. Peterson

Foi no ano de 1968 que a liderança da Igreja Adventista em sua sede em Washington começou a se interessar pelo desenvolvimento de uma rede de estações em ondas curtas para transmissão de programação religiosa. Na época, o Dr. Walter Scragg, neozelandês de pais australianos, estava servindo no departamento de comunicação.

Três anos depois, o jovem casal Allen e Andrea Steele foi convidado a estabelecer residência em Lisboa, Portugal, onde inauguraram a primeira transmissão do que seria identificado em breve como Adventist World Radio. A primeira transmissão em ondas curtas foi feita a partir do transmissor três da Radio Trans Europe em Sines, em 1 de Outubro de 1971 com um serviço direcionado ao leste europeu na faixa de 31 metros.

Um plano para cobertura mundial em ondas curtas e incluiria quatro estações na Europa, Pacífico, América Central e África. Um longo período de pesquisa intensa começou para buscar um local capaz de receber os transmissores no território pacífico-asiático e várias localidades foram consideradas. Entre as probabilidades estavam o Sri Lanka, Ilhas Maldivas, Filipinas, Coreia do Sul, Havaí, Palau e Guam.

Finalmente Guam foi escolhida e a família Steele, agora com experiência no mundo das ondas curtas, foi convidada a se mudar para lá. O primeiro escritório temporário da estação da AWR em Guam compartilhava das instalações da missão Adventista em Agana.

Em Setembro de 1984, a FCC emitiu uma permissão de construção da nova estação de ondas curtas que ficaria a 40 acres do mar em Facpi Point, na costa oeste da ilha. A propriedade ficava no vale da montanha Lamlam, ponto mais alto da ilha de Guam.

Os trabalhos começaram na nova propriedade em 11 de Setembro de 1985 quando uma escavadeira começou a preparar uma o acesso da estrada “Torres Adventista”, próxima à Highway 2. Um mês depois ocorreu a cerimônia de instalação da pedra fundamental, com a participação do governador da ilha, Ricardo Bordallo.

Neste período os Steeles transferiram o escritório da Adventist World Radio para uma casa em Agat, a Casa Rosada, a 1,5 km de distância da emissora. A estação em Guam foi designada AWR-Ásia e a AWR-Ásia original, que ficava em Poona, Índia foi redesignada como AWR-Sul da Ásia.

Em 18 de janeiro de 1987, houve uma cerimônia dedicada à emissora na qual o governador da ilha, Joseph Ada, participou. Quase 500 pessoas participaram, incluindo diversos líderes religiosos provenientes de Washington. Visitantes oficiais de Agana chegaram com escolta de diversas motocicletas da polícia.

O brilhante prédio branco do transmissor foi adornado com as bandeiras coloridas de 22 países, representando os territórios que estariam na principal área de cobertura desta nova estação de ondas curtas. Entre as apresentações musicais estavam o coral Voz da Profecia, da Coreia do Sul e um conjunto de percussão de Agana. O coral coreano também se apresentou no palácio do governo e na Igreja Presbiteriana Coreana em Agana.

Os dois primeiros transmissores da AWR Facpi Point foram fabricados na França pela Thomson-CSF; 100 kW modelo TRE2311P. O transmissor 1 foi conectado à antena 1, uma TCI modelo 611; e o transmissor 2 à antena 3. Muitos indicativos prováveis foram considerados, mas no final o adotado foi o óbvio, KSDA, para Igreja Adventista do Sétimo Dia foi escolhido e aprovado pela FCC.

O transmissor KSDA1 foi colocado em funcionamento às 14:35 horário local em 5 de Março de 1987, com um anúncio informando: “Esta é a Rádio Mundial Adventista Ásia , KSDA Agat Guam, transmitindo em 11720 kHz. Esta é uma transmissão de teste.” O transmissor começou a operar regularmente na noite seguinte às 19:00.

O transmissor KSDA2 começou uma semana de transmissões de teste em 24 de Outubro de e entrou em operação regular em 1 de Novembro.

Vários anos se passaram e dois outros transmissores de ondas curtas com 100 kW foram adquiridos, desta vez da Continental, de Dallas, Texas. Eram unidades modelo 418E e 418F.

Para a inauguração do transmissor KSDA3 em 16 de Maio de 1995 houve uma outra cerimônia, celebrada com uma transmissão ao vivo em Chinês e Inglês dirigida à Ásia. O transmissor KSDA4 entrou em operação regular em Janeiro de 1996, completando assim os planos da AWR-Ásia: quatro transmissores de 100 kW e quatro antenas.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

Você já conhece o canal Regional DX no Youtube? Vídeos novos publicados nos dias pares do mês. Não deixe de se inscrever, curtir os vídeos, comentar e compartilhar o conteúdo. Visite em youtube.com/regionaldx





Trans World Radio/KTWR

9 09 2018

Adrian M. Peterson

A revista australiana mensal Radio & Hobbies de Outubro de 1975 informou que a Trans World Radio planejava instalar dois centros transmissores na ilha de Guam. O conhecido Dexista neozelandês Arthur Cushen informou em sua coluna mensal que a TWR já tinha recebido a licença da nova estação com uma potência de 10 kW em 770 kHz e dois transmissores de ondas curtas de 100 kW para cobrir a Ásia.

Na época, a Trans World Radio estava passando por um período de expansão e Arthur Cushen informou que a estação em Guam seria a quinta, após Monte Carlo na Europa, Bonaire no Caribe, Chipre no Mediterrâneo e Suazilândia na África. A TWR já tinha instalado um escritório em Agana e planejava instalar primeiramente o transmissor de ondas médias.

A nova estação de ondas curtas foi construída próxima a cidade de Merizo, no sul de Guam. A localização atual fica apenas um pouco adentro da baía Bile, na costa oeste. Dois anos depois, em Junho de 1977, a estação de ondas curtas da KTWR estava pronta para levar ao ar transmissões, que na época consistiam inteiramente de tons e anúncios de teste. A Trans World Radio emitiu um cartão QSL especial para confirmar estas transmissões.

A programação regular começou em 4 de Setembro de 1977, na época com dois transmissores Harris de 100 kW modelo SW100 e duas antenas fabricadas pela TCI. O transmissor KTWR1 foi conectado à antena 1 apontada para o azimute 285˚, e o KTWR2 conectado à antena 2 com azimute 315˚.

Em 1980 a Trans World Radio recebeu a aprovação da FCC para a instalação de dois transmissores adicionais de 100 kW do mesmo fabricante e modelo anteriormente usado. O prédio que abrigava os transmissores foi ampliado para acomodar duas unidades adicionais e três novas antenas foram instaladas. Os testes com os novos transmissores e antenas começaram em 1981.

Em Abril de 1999, um quinto transmissor e a sexta antena foram instalados; entretanto, o transmissor de 100 kW nesta ocasião foi fabricado pela HCJB em Elkhart, Indiana. Dois anos depois, as primeiras antenas do complexo foram substituídas.

Dois dos transmissores de 100 kW mais antigos foram removidos e substituídos por outros com potência de 250 kW com módulo DRM instalado. Durante a instalação deles houve a realocação dos transmissores no prédio e o KTWR3 foi removido e colocado à venda.

O dia 11 de Novembro de 2011 foi uma data importante para a Trans World Radio. Uma cerimônia especial marcou o início da operação dos novos equipamentos com um programa de 15 minutos transmitido em DRM.

Esta transmissão especial em modo digital foi ao ar às 0900 UTC em 17640 kHz. A cerimônia foi transmitida ao vivo pela KTWR e retransmitida nos Estados Unidos por várias emissora de FM e ondas médias pela Moody Bible Radio Network.

Na atualidade a KTWR está envolvida em dois projetos interessantes além da transmissão em ondas curtas. Há três anos, a Trans World Radio iniciou a instalação de três grandes conjuntos solares para a geração de energia a uma taxa de 60 kW hora por dia para cada um. Quando o projeto estiver concluído, a economia de energia será na faixa de 50 mil dólares por ano. Recentemente ela usou um dos transmissores para um projeto experimental de internet voltado à Tailândia que permitiu o download da Bíblia em smartphones.

A Trans World Radio Guam sempre foi excelente confirmadora a partir de seu escritório em Agana e mais recentemente a partir de seu endereço em Merizo. Após quase quarenta anos de transmissões, a KTWR emitiu QSLs coloridos em Inglês e Japonês. Eles retratavam bonitas imagens da ilha.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

Você já conhece o canal Regional DX no Youtube? Vídeos novos publicados nos dias pares do mês. Não deixe de se inscrever, curtir os vídeos, comentar e compartilhar o conteúdo. Visite em youtube.com/regionaldx





A busca por Amelia Earhart

1 09 2018

Adrian M. Peterson

Eram 5:30 local da sexta-feira, 2 de Julho de 1937. O cenário era o pequeno e em estilo rural Hotel Cecil, o único existente na cidade fronteiriça de Lae, na Nova Guiné. A cidade se orgulhava por ter uma unidade local dos correios sob os auspícios do Departamento Geral de Correios da Austrália, uma pista de grama administrada pela Guinea Airways, assim como uma estação de rádio construída pela australiana AWA, embora administrada pela Guinea Airways.

Em algumas horas, a famosa aviadora Amelia Earhart e o navegador Fred Noonan começaria sua sua famosa jornada da Nova Guiné à Califórnia, com duas paradas para reabastecimento, na ilha Howland Island e Honolulu.  Um rápido “chá matinal” em frente ao hotel foi seguido por uma caminhada ao aeroporto de Lae, onde seu avião fora armazenado no hangar da Guinea Airways na noite anterior.

O avião, que tinha um ano de uso, era uma versão modificada do Lockheed Electra 10E. A fuselagem era formada por uma nova liga de alumínio, com as duas asas pintadas em um vermelho forte, com o número de identificação NR16020 em preto na asa direita e na cauda. Ele estava praticamente pronto para o longo voo na quinta-feira e no dia seguinte os aviadores começaram a preparação final.

Os maiores itens de rádio à bordo do Electra eram um transmissor alimentado por 12V e um receptor separado, ambos fabricados pela Western Electric. O transmissor, modelo WE13C, tinha potência de 50 watts e fora ajustado pela fábrica para uso em 500 kHz, 3105 kHz e 6210 kHz, para comunicação tanto em fonia como Código Morse. O indicativo era KHAQQ. O receptor, modelo WE20B, era um modelo regular de quatro faixas, para recepção em ondas longas, médias, tropicais e curtas.

A antena principal era uma V invertida no topo do avião, com pequenos mastros na fuselagem e no topo da cauda. Outra antena principal era um fio longo interno que precisava ser desenrolado para ser usada. Ao que parece, esta antena foi removida antes da partida de Lae, acidentalmente ou intencionalmente.

No dia anterior, o operador de rádio em Lae, Harry Balfour tentou captar os sinais horários das estações costeiras da AWA, VIS (Sydney), VIM (Melbourne), VIA (Adelaide) e VIP (Perth), mas não foi possível; os sinais em 500 kHz não chegavam à Nova Guiné. Na manhã da decolagem, Balfour conseguiu contato às 8:00 com a estação FZS3 de Saigon, na Indochina Francesa em 9620 kHz. Noonan descobriu que o cronômetro estava informando uma leitura com três segundos de atraso.

O horário da partida foi estabelecido às 10:00 local. Os tanques regulares e suplementares foram abastecidos com querosene de aviação suficiente para a viagem de 3630 km até a Ilha Howland, com tempo estimado de 18 horas e reserva para quatro horas adicionais de voo, se necessário.

Após uma cerimônia no hotel, tudo estava pronto para a decolagem às 10:00.  A aeronave totalmente carregada seguiu pela pista de grama e decolou a poucos metros de uma pista que terminava bem próxima ao oceano. Um filme em preto e branco da decolagem sugeriu que o avião decolou sob condição limite por conta do peso.

O Electra então seguiu sua rota rumo ao Pacífico, em direção à Ilha Howland. Por alguma distância o avião pareceu literalmente planar a apenas alguns metros acima do mar, até ter velocidade suficiente para ganhar altitude sob o céu azul tropical.

Embora tanto a Lae Rádio como Amélia à bordo do Electra tenham tentado contatos mútuos via rádio, isso só aconteceu após quatro horas e dezoito minutos depois da decolagem, a mais de 600 milhas de distância. O contato via rádio com o Electra KHAQQ nesta ocasião foi feito em 6210 kHz, e pelo que foi reportado tudo estava bem. Curiosamente o canal em ondas curtas de 6210 kHz também era o primeiro (ou se você preferir) o segundo harmônico da fundamental 3105 kHz.

O indicativo da estação de rádio da Guinea Airways foi listada em alguns relatórios como PAE. Estas três letras são muito parecidas com as do nome da cidade em que estava instalada, Lae. Se tal indicativo estiver correto, ele ele provavelmente não era oficial ou algo da própria empresa. O governo emitiu um indicativo na época vinculado à Austrália como VLU, que em seguida foi modificado para VHX.

Na metade do trajeto entre Lae e Howland, o navio auxiliar da marinha norte americana Ontário estava a espera há pouco mais de uma semana. O único rádio à bordo era o transmissor de ondas longas NIDZ, na frequência de 400 kHz em ondas longas com uma potência de ½ kW. Não houve contato via rádio entre a NIDZ e KHAQQ, bem como sem contato visual entre o Ontário e o Electra.

Às 10:30 UTC, sob a escuridão do Pacífico, após 10½ de Lae, Amélia informou via rádio ter visto as luzes de um navio, que era o Myrtlebank, em sua rota de Auckland na Nova Zelândia rumo a ilha isolada de Nauru. A estação VKT em Nauru ouviu a chamada e respondeu, mas aparentemente Amélia não recebeu chamada de confirmação.

Às 14:14 GMT, o Electra estava sobrevoando as ilhas Gilbert, e mais um relatório foi transmitido. Entretanto, eram 2:14 da manhã no horário local e aparentemente ninguém estava em serviço na estação VSZ em Tarawa, ilhas Gilbert, e nenhum contato foi estabelecido.

Às 16:23, Amélia chamou a estação Itasca NRUI na ilha Howland, que ouviu seu comunicado em 3105 kHz, quando passou um breve informe do tempo, indicando como “parcialmente nublado”.  Então, novamente às 19:12 nos mesmo 3105 kHz, ela informou que “nós devemos estar na rota correta mas não temos contato visual e o combustível está no final”.

As duas comunicações finais ocorreram às 19:28 UTC quando ela informou na mesma frequência que “estava voando em círculos sem conseguir ouvir a estação em terra”; e dois minutos depois, “conseguimos ouvi-lo, por favor nos informe uma direção”. Depois disso, silêncio.

Uma hora depois a busca de emergência começou. Porquê não ocorreram mais transmissões a partir do Electra? Para onde foram? O que aconteceu com eles?

Por um período de 17 dias, um total de dez navios, 102 aviões e 3000 homens participaram de uma busca extensiva cobrindo mais de 800000 quilômetros do Oceano Pacífico. A maior parte dos aviões e navios envolvidos nesta busca que consumiu $250000 por dia vieram do norte e cobriu áreas do nordeste, norte e noroeste da Ilha Howland.

Na época do fatídico desaparecimento de Amelia Earhart e Fred Noonan à bordo do Lockheed Electra 10E no sábado, 2 de Julho de 1937, o esposo de Amelia, o editor George Putnam acompanhou os eventos por meio da estação costeira NMC. Na época ela era uma estação utilitária recentemente instalada em Fort Funston, São Francisco. Ele declarou na época que os as equipes de busca estavam operando nos locais errados e que deveriam buscar ao sul da Ilha Howland, não no norte.

Um avião PBY Catalina, de indicativo F3Y e identificação tática 62C, partiu de Honolulu rumo a distante Ilha Howland, mas teve que retornar devido ao mau tempo. Além disso, três aviões de escolta do navio de guerra SS Colorado foram enviados duas vezes por dia para percorrer a área por dois dias. A empresa de transporte Lexington também enviou 62 aviões para cobrir a área de busca.

Cerca de 30 navios norte-americanos, navais e comerciais foram envolvidos na busca, cada um com seu próprio indicativo. Houve um indicativo diferente do padrão envolvido (QZ5). O navio tanque de propriedade de Frank G. Drum tinha o indicativo KDQZ, e ao que parece o QZ5 era simplesmente uma versão abreviada indicando a frequência de número cinco do navio KGQZ.

Além disso, navios registrados no Japão, Nova Zelândia e Austrália participaram dessa busca.

Diversas estações nos Estados Unidos passaram informações relevantes, assim como no Havaí e de diversas ilhas no Pacífico. A estação VQN, baseada na Ilha Fanning operou na frequência de 425 kHz em ondas longas; estas ilhas foram incluídas na busca pelo avião. Três estações da Pan American Airways auxiliaram na busca com procedimentos de triangulação, que eram KNBF, desde Mokapu/Havaí, KNBH/Ilha Midway e KNBI/Ilha Wake.

As duas estações de ondas médias existentes em Honolulu naquela época, KGMB com 1 kW em 1320 kHz e KGU com 2½ kW em 750 kHz, transmitiram mensagens diretamente para Amelia Earhart e Fred Noonan, na esperança de que pudessem estar ouvindo.

O mistério deste desaparecimento que ocorreu há 79 anos, o maior da história da aviação, permanece sem solução.

Se fôssemos listar os transmissores à bordo dos navios e aviões e nas estações nas ilhas eles certamente passariam de 100 indicativos.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

Você já conhece o canal Regional DX no Youtube? Vídeos novos publicados nos dias pares do mês. Não deixe de se inscrever, curtir os vídeos, comentar e compartilhar o conteúdo. Visite em youtube.com/regionaldx





O serviço do norte da KDKA

23 06 2018

Adrian M. Peterson

O primeiro serviço internacional regular em ondas curtas foi inaugurado pela Westinghouse na época em que seus transmissores ainda estavam no topo do Edifício K de seu complexo fabril em East Pittsburgh, Pennsylvania. Mas, na época a produção dos programas já tinha sido transferida do Edifício K para o Hotel William Penn, no número 530 da William Penn Place, no subúrbio de Pittsburgh.

Em seu livro sobre a história da radiodifusão em ondas curtas nos Estados Unidos, Michael K. Sidel conta a história de como a famosa emissora de ondas médias  KDKA começou o primeiro serviço internacional em ondas curtas. Foi no verão do ano de 1923 que a KDKA, que na época ainda nem tinha chegado ao seu terceiro ano de vida, em que George A. Wendt, da subsidiária canadense da Westinghouse Company, de Hamilton, Ontário, sugeriu que a KDKA introduzisse um serviço para os residentes no extremo norte do país.

No verão de 1923, os postos do norte da Real Polícia Montada do Canadá recebeu receptores de ondas curtas que podiam sintonizar a programação da KDKA-8XS desde Pittsburgh. O Serviço do Norte da Westinghouse foi introduzido naquele mesmo verão e ia ao ar em ondas médias e curtas todos os sábados à noite.

A programação consistia de cartas dos ouvintes, notícias e músicas e era dirigida à região do Ártico canadense, incluía postos da polícia, pessoal em serviço comercial na Baía Hudson como os da empresa francesa Revillon Freres e missões católicas isoladas. A KDKA recebeu diversas cartas elogiosas de ouvintes após o final do inverno na região, que permitiu o fluxo de correspondência no ano de 1924.

Histórias do serviço do norte incluem a transmissão de uma mensagem especial a um caçador na Baía Hudson em 17 de Janeiro de que sua esposa estava se recuperando satisfatoriamente após uma cirurgia de emergência. Entretanto há mais sobre esta história interessante que uma mera frase:

Em 1906, James S. C. Watt, na época com 22 anos, migrou da Escócia para o leste do Canadá, onde aceitou logo em seguida um emprego na Hudson Bay Company. Na mesma época, a estudante secundária Maud Maloney chamou sua atenção. Maud nasceu na Península Gaspe, na costa sul do Estuário St Lawrence em 1894, era a décima filha de uma família de ascendência irlandesa e francesa com dezesseis crianças. Ela era fluente em Francês e Inglês, e subsequentemente adquiriu conhecimento do idioma Algonquin falado no norte em nível de conversação.

Conforme o tempo passou, James Watt aceitou uma transferência por parte da Hudson Bay Company para Fort McKenzie, na província de Quebec; e Maud aceitou um emprego durante o estágio inicial da I Guerra Mundial como telegrafista em Clarke City, um pouco a leste da entrada norte do estuário do golfo St. Lawrence. Posteriormente, em uma cerimônia simples, o presbiteriano James Watt, nos seus vinte e poucos anos e a garota católica Maud Maloney, que estava na faixa dos dezoito, se casaram e estabeleceram residência em Fort McKenzie.

Embora o pequeno entreposto comercial de Fort McKenzie fosse localizado no norte da província de Quebec, era acessível apenas após uma árdua viagem de navio pela costa de Labrador seguida por um longo trajeto de 320 km. A família Watt viveu boa parte de sua vida naquela localidade.

Em uma ocasião, Maud precisou passar por uma cirurgia de emergência e viajou para um hospital em North Bay, a 280 km ao norte de Toronto. A operação foi um sucesso e ela queria informar seu marido, que ainda estava a caminho de Fort McKenzie, de que estava tudo bem.

Ela tinha alguns amigos que fizeram contato com a estação KDKA e Frank E. Mullen incluiu a mensagem de boa nova na transmissão do serviço rural. James Watt costumava ouvir a frequência em ondas curtas da KDKA em busca de notícias, informações e entretenimento. O solitário residente do norte posteriormente agradeceu à emissora por carta a emissora, informando que de fato tinha ouvido a informação sobre sua esposa.

Três anos e meio depois, Maud estava em outra viagem pela costa de Labrador, retornando a Fort McKenzie. Junto com ela estavam seus dois filhos, Hugo, com dois anos e meio, Jaqueline, com seis meses e uma criança adotada de nove anos, Alice McDonald.

Em 22 de Julho de 1927, o navio Bayrupert, que estava em sua segunda viagem pelo norte, colidiu com a rocha Clinker e teve seu casco partido ao meio. O operador de rádio enviou imediatamente um pedido de socorro em código Morse e em resposta um rebocador resgatou todos a bordo e os desembarcou na ilha Farm Yard. Logo depois, Maud e seus três acompanhantes embarcaram no navio Kyle de volta a Newfoundland, onde aguardaram a até que os navios voltassem a percorrer a costa na primavera do ano seguinte.

Tanto Maud como James se afeiçoaram aos povos do norte e seu serviço a eles foi extensamente reconhecido. Maud recebeu o título informal de Anjo da Baía Hudson; diversos livros narraram suas façanhas e filmes registraram suas aventuras pelo Ártico canadense.

Vamos voltar a 1924: em 4 de Agosto o governo canadense solicitou à KDKA para manter contato com o navio de suprimentos da Guarda Costeira CGS Arctic durante sua jornada anual pelos postos isolados do norte do país. Os equipamentos de rádio foram instalados no CGS Arctic em Quebec antes de iniciar sua viagem, com William Choat, um rádio amador de Toronto, como operador de rádio. O CGS Arctic tinha sido registrado em Newfoundland, que na época não fazia parte do Canadá, e seu equipamento de rádio foi licenciado com o indicativo VDM.

Conforme solicitado, a estação de ondas curtas da KDKA em Pittsburgh manteve contato regular em código Morse durante os quase três meses da viagem de 1924 do CGS Arctic de Quebec rumo aos postos de norte e de volta a Quebec. Um dos rádio amadores que mantiveram contato com William Choats durante a viagem foi um pioneiro no hobby, Gerald Marcuse (G2NM). Há que se ressaltar que Marcuse começou a transmitir em ondas curtas três anos depois e esse foi o início da programação internacional em ondas curtas a partir da Inglaterra.

Na época, o serviço do norte da KDKA-8XS era apresentado geralmente em Inglês, embora em determinadas ocasiões o Bispo Turquetil falasse aos habitantes do norte do Canadá em um dos idiomas Esquimós. Em 1938, o programa passou a ser irradiado em cinco idiomas: Inglês, Francês, Dinamarquês, Islandês e Esquimó. As transmissões da temporada do inverno de 1939 começaram com uma mudança dupla de indicativo, de W8XS para W8XK e então para WPIT.

Em Dezembro de 1933, a Canadian Radio Broadcasting Corporation (CRBC) iniciou seu próprio serviço para o norte intitulado Canadian Northern Messenger e foi baseado no conteúdo de sucesso da KDKA, que já tinha dez anos de idade. Esta será uma história para um próximo artigo.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

Você já conhece o canal Regional DX no Youtube? Vídeos novos publicados nos dias pares do mês. Não deixe de se inscrever, curtir os vídeos, comentar e compartilhar o conteúdo. Visite em youtube.com/regionaldx

 





O serviço mensageiro do norte canadense

6 05 2018

Adrian M. Peterson

No verão de 1923, receptores de ondas curtas foram enviados a postos avançados da Real Polícia Montada Canadense com o propósito de permitir a sintonia da estação de ondas curtas dos Estados Unidos KDKA, de Pittsburgh, Pennsylvania. Com isso, famílias isoladas servindo no congelante norte canadense poderiam se manter em contato com os eventos no resto do mundo diminuindo assim a sensação de solidão.

A subsidiária canadense da Westinghouse em Hamilton, Ontário, sugeriu à KDKA que produzisse algum tipo de programação especial a esses moradores isolados e que fosse direcionada ao norte na faixa de ondas curtas. A KDKA, na época com apenas dois anos e meio de vida, preparou uma programação especial para o extremo norte do Canadá, iniciando o no verão de 1923 o Serviço para o Extremo Norte da KDKA.

A programação consistia de cartas dos ouvintes, mensagens à famílias isoladas e amigos, notícias, informações e músicas. Tais transmissões foram inseridas inicialmente na programação já existente da KDKA, embora conforme o tempo passou o Serviço para o Extremo Norte passou a ser um programa em si.

Tal conteúdo tornou-se regular durante o inverno, indo ao ar geralmente de Novembro a Maio. Em muito ajudou nas diversas situações em que a entrega de correspondências ou outras mercadorias foi suspensa por conta do inverno Ártico.

As transmissões eram feitas pela KDKA em ondas médias e pela 8XS em ondas curtas (posteriormente W8XK e WPIT), bem como por outras emissoras de ondas médias e curtas da Westinghouse nos Estados Unidos. O serviço foi mantido por 17 anos.

Em uma publicação de 1939 havia a informação de que a programação iria ao ar pela KDKA em ondas médias e pela WPIT em ondas curtas a partir de 1 de Novembro. Imagino que esta foi a temporada final do Serviço para o Extremo Norte, que foi ao ar até Maio de 1940.

Em 1932, uma rede pequena de transmissores de ondas médias anteriormente mantidos e operados pela Estrada de Ferro Nacional Canadense foi adquirida pela CRBC, a recém formada Canadian Radio Broadcasting Commission. Inicialmente, a CRBC operou apenas três emissoras: CRCO em Ottawa, Ontário, CRCA em Moncton, New Brunswick e CRCV em Vancouver, Columbia Britânica, com a estação Vancouver como cabeça de rede.

Logo depois de organizada, a CRBC começou a planejar seu próprio serviço para o norte, que passou a ser uma cópia bem sucedida da empreitada da KDKA-8XS. Em Dezembro de 1933, o novo programa, sob o título Mensageiro do Norte Canadense, foi inaugurado em um programa especial de sábado à noite e transmitido a partir de todas as emissoras de ondas médias da crescente rede da CRBC.

No início, as transmissões tinham um duração de uma hora e meia a duas horas e iam ao ar nos sábados às 23:30. Assim como para as transmissões via KDKA-8XS, consistia de cartas de ouvintes, mensagens importantes de familiares e amigos, notícias e músicas. Da mesma forma era transmitida durante o inverno no Ártico, entre Novembro e Maio.

A produção dos programas era feita no estúdio da CRBC em Toronto. A estação de ondas médias em Toronto contava com uma mistura interessante de equipamentos de outras emissoras da região e utilizava o indicativo CRCT.

Além da cobertura em ondas médias, a programação ia ao ar em ondas curtas. Em seu interessante livro “The Early Shortwave Stations”, o historiador do rádio Jerome Berg, de Boston, informa que inicialmente quatro estações de ondas curtas do Canadá levaram ao ar o Serviço Mensageiro do Norte Canadense de forma regular conforme segue:

VE9DN – Drummondville – Quebec – Marconi Co – 6 kW – 6005 kHz

VE9GW – Bowmanville – Ontário – Gooderham & Worts – 0,2 kW – 6095 kHz

VE9CL – Winnipeg – Manitoba – Richardson Co – 2 kW – 6150 kHz

VE9JR – Winnipeg – Manitoba – Richardson Co – 2 kW – 11720 kHz

Quatro anos depois a CRBC passou a integrar uma organização similar, a CBC, Canadian Broadcasting Corporation, fato ocorrido em 2 de Novemdro de 1936. A produção e transmissão do referido programa continuou sob administração da CBC.

Em 1937, conforme nos informa Jerome Berg, o esquema de transmissões nas noites de sábado passou a ser o seguinte:

VE9DN – Drummondville – Quebec – Marconi Co – 4 kW – 6005 kHz

CRCX (VE9GW) – Bowmanville – Ontário – CBC – 0,5 kW – 6095 kHz

CJRO (VE9CL) – Winnipeg – Manitoba – Richardson Co – 2 kW – 6150 kHz

CJRX (VE9JR) – Winnipeg – Manitoba – Richardson Co – 2 kW – 11720 kHz

W8XK (8XS) – Saxonburg – USA-PA – Westinghouse – 40 kW  – 4 faixas de ondas curtas

Dezoito anos depois e já estamos em 1954. A II Guerra Mundial já tinha terminado e a expansão e desenvolvimento do pós-guerra estavam a plano vapor. As transmissões foram reintroduzidas a partir da noite de 5 de Novembro e a lista de emissoras de ondas médias que levavam ao ar o conteúdo eram:

CBW – Winnipeg – Manitoba – 50 kW – 990 kHz

CBK – Watrous – Saskatchewan – 50 kW – 540 kHz

CBX – Lacombe – Alberta – 50 kW – 1010 kHz

CBXA – Edmonton – Alberta – 0,1 kW – 740 kHz

Cada edição do programa era produzido nos estúdios da CBC das estações CBX e CBXA em Edmonton, Alberta, para posterior transmissão em ondas médias e curtas. Exatamente uma semana depois, uma gravação da transmissão original era retransmitida pelos 50 kW da estação de ondas médias CBA em Sackville, New Brunswick.

Além da programação a partir dos estúdios da CBX e CBXA em Edmonton, esta também ia ao ar por meio da VED, uma estação utilitária operada pela Royal Corp of Signals em seu acampamento no extremo norte de Edmonton. Esta área hoje é ocupada por residências.

O transmissor militar de 5 kW, modelo TH41, foi construído pela subsidiária local da Marconi em Kanata, Ontário e usado para retransmissão da programação da CBC para uma rede pequena de estações de ondas médias no norte. As três letras do indicativo VED são relacionadas a: Canadá para a letra inicial V e Edmonton para as letras subsequentes ED.

A estação VED entrou em operação em 1924 e passou a integrar o serviço de retransmissão da CBC em 1949, permanecendo até 1956. Ouvintes relataram três canais em ondas curtas usados para alimentar as emissoras de baixa potência em ondas médias: 8255 kHz, 8265 kHz e 7230 kHz.

Dois anos depois do fim das retransmissões da CBC pela VED (1958), houve o anúncio de planos para instalação de um transmissor de 50 kW em Vancouver para cobertura de áreas isoladas no norte. Tal plano nunca foi implementado, mas houve então a inauguração do Serviço do Norte da CBC, que será tema de outro artigo no futuro.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

Você já conhece o canal Regional DX no Youtube? Vídeos novos publicados nos dias pares do mês. Não deixe de se inscrever, curtir os vídeos, comentar e compartilhar o conteúdo. Visite em youtube.com/regionaldx





Faro del Caribe

28 04 2018

E. J. Whitehead

Entre as diversas emissoras latino americanas estão algumas estações não comerciais que buscam a melhora no nível educacional e cultural de suas populações apesar das dificuldades. Considerando a luta constante para obter fundos, para encontrar pessoal adequado e manter equipamentos desatualizados em funcionamento, é um pequeno milagre que elas continuem ano após ano e talvez seja mesmo pela graça de Deus que elas conseguem sobreviver. Uma delas é a TIFC, Faro del Caribe.

A Faro del Caribe foi fundada pelo líder religioso Clarence Jones em 1945. Naquele ano, Jones estava consciente da necessidade de uma emissora cristã na Costa Rica e fundou a emissora TIFA. O controle dela foi por pouco tempo e a posse da emissora foi para as mãos do costa-riquenho com ascendência italiana Francisco Arie. Arie, por sua vez, vendeu a TIFA à Missão Latino Americana (LAM) em 1947, evento este que iniciou a história moderna da TIFC.

Logo após assumir o controle da TIFA, a LAM começou modernizar as instalações e a recrutar pessoal adicional. Fundos foram arrecadados por uma campanha liderada pelo Dr. Kenneth Stacham, o que levou à substituição de equipamentos antigos. Entre o novo pessoal a compor a equipe estavam um engenheiro e missionário e dois ajudantes que começaram a trabalhar no Natal de 1947. Com isso, a TIFC começou  a fazer transmissões de teste com conteúdo do oratório “O Messias”. Apenas em fevereiro do ano seguinte começaram as transmissões regulares.

A emissora hoje

O nome Faro del Caribe, ou Farol do Caribe em Português, reflete o objetivo de iluminar o caminho para uma vida melhor de sua audiência. Para isso, a a TIFC (TI para Costa Rica e FC para Faro del Caribe) busca desenvolver as faculdades intelectuais e morais da nação e servindo à população o “pão diário” por meio de sua programação evangélica.

Como se trata de uma emissora não comercial, a TIFC é mantida apenas pela contribuição de sua audiência, notadamente os Evangélicos da Costa Rica, que apesar dos seus parcos recursos generosamente mantêm a emissora. Mais de 30 mil dólares foram arrecadados e investidos em novos equipamentos e instalações e, atualmente, uma campanha para arrecadar outros 20 mil dólares está em curso.

A emissora opera com uma equipe de onze pessoas em uma casa localizada em San José, a capital da Costa Rica. Administrada por Don Federico Picado O., o pessoal também inclui duas secretárias; três locutores: Isral Zuñiga, Franklin Valverde e Rafael Martinez; o diretor de programação Manuel Viquez; um assistente administrativo e três pessoas responsáveis pelo departamento de engenharia consistindo de um engenheiro, Thelvin Cabezas e dois técnicos.

Para levar ao ar a mensagem da Bíblia aos ouvintes da América Central e Caribe, ela transmite em dois idiomas e quatro frequências. A maior parte de sua programação é em Espanhol e tem início às 10:00 UTC. A programação em Inglês também é levada ao ar diariamente, começando às 03:00 UTC. Um novo transmissor de 5 kW é usado para ondas médias (1057 kHz), enquanto o mais antigo (1 kW) é usado nas frequências conhecidas de 6037 e 9645 kHz. A frequência de 97,1 MHz em FM também é utilizada, mas com apenas 250 watts. Uma torre com 75 metros de altura irradia os sinais em ondas médias, enquanto para ondas curtas é empregada uma antena dipolo.

Em sua transmissão noturna de 70 minutos (90 nos fins de semana) em Inglês, a Faro del Caribe apresenta conteúdo noticioso produzido pela Voz da América e programas religiosos variados. Entre os destaques estão os programas “Shew me a penny”, “Hour of decision”, “Baptist hour”, “Unshackled” e “The hobby of the kings”.

Milhares de cartas a cada ano são a testemunha da eficiência do trabalho evangelizador da emissora. Todas as cartas são respondidas e informes de recepção corretos, que variam entre 70 e 180 a cada mês são devidamente contestadas com cartão QSL, carta pessoal e folheto religioso. Flâmulas não estão disponíveis no momento, mas há planos de emissão de uma durante a celebração do próximo aniversário da emissora.

Tempos de crise

A TIFC sofre com um pequeno contingente, problema este que constantemente desafia a operação normal da emissora. A situação é grave a ponto que a perda de algum funcionário de setor vital pode tornar inviável sua operação. Sharon Taylor, Secretária do Serviço em Inglês explica: “precisamos de ao menos dois engenheiros. Nós temos um, mas ele não pode estar aqui o tempo todo e os ajudantes também passam pela mesma situação. Recentemente recebemos a triste notícia de que nosso engenheiro está indo trabalhar em outro emprego. Agradecemos as orações no sentido de resolver mais este problema.

Um vislumbre de esperança

Conforme se aproxima de seu 25º aniversário, a TIFC olha para o futuro com a esperança de que os problemas atuais serão favoravelmente resolvidos. Então, apesar dos problemas atuais, a Faro del Caribe tem buscado a melhora na recepção na zona rural da Costa Rica na faixa de 60 metros. A permissão para operar na frequência de 5020 kHz já foi obtida do governo do país caso a campanha de levantamento de fundos para a aquisição de um transmissor para operar nesta frequência tenha sucesso iniciará no próximo ano.

Embora a TIFC tenha alcance mundial, sua área de cobertura principal é a Costa Rica. Entre cafezais e bananais, a Faro del Caribe, com o duplo propósito de evangelizar e iluminar as mentes de seus ouvintes, trabalha sem descanso para ajudar na caminhada rumo a uma vida melhor a quem nos segue.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

Você já conhece o canal Regional DX no Youtube? Vídeos novos publicados nos dias pares do mês. Não deixe de se inscrever, curtir os vídeos, comentar e compartilhar o conteúdo. Visite em youtube.com/regionaldx





Ouvindo ondas tropicais

22 04 2018

Michael P. Mahoney

Um das mais ignorados e intrigantes aspectos do Dexismo é a escuta das Ondas Tropicais. Muitas pessoas tem receio em praticá-la por conta dos problemas encontrados para entender os idiomas utilizados nesta faixa; outros nem mesmo sabem que ela existe! Isso é uma pena, pois quem a ignora perde a chance de ouvir a programação que reflete outras culturas muitas vezes não apresentadas por emissoras internacionais. Sem contar que, se você for um Dexista sério, tem quatro outras faixas para se divertir!

Estas quatro faixas são: a) a de 60 metros, onde a maioria das emissoras pode ser encontrada entre 4700 e 5100 kHz; b) a de 75 metros, entre 3950 e 4000 kHz; c) a de 90 metros, entre 3200 e 3400 kHz e a de 120 metros, entre 2350 e 2500 kHz.

Esse conjunto de frequências foi alocado para as regiões tropicais do planeta pela União Internacional de Telecomunicações, em Genebra, Suíça. Seguem os principais fatores que contribuíram para o estabelecimento das ondas tropicais: 1) a maioria dos países da zona Equatorial são subdesenvolvidos, então existe a necessidade de que algumas emissoras cubram regiões vastas; 2) uma vez que os países tropicais sofrem com alta incidência de tempestades elétricas durante o ano inteiro, tornando muitas vezes a transmissão em ondas médias inviável em diversas ocasiões; 3) as faixas internacionais de radiodifusão (25, 31 e 49 metros) já são altamente ocupadas mesmo sem a presença de emissoras domésticas; 4) Levando em conta que as frequências abaixo dos 6 MHz não são sempre confiáveis para transmissão a longa distância, as faixas tropicais parecem ser o lugar ideal para as emissoras que não buscam cobrir áreas maiores que 1000 a 2000 km e, em alguns casos com distância até mesmo menor.

Como as emissoras de ondas tropicais operam com objetivo de cobertura doméstica, diversos idiomas inexistentes fora delas pode ser bastante razoável. E, juntamente com a dificuldade de tentar entender o Espanhol e Português da América Latina, idiomas locais da África e Ásia, bem como os sotaque dos idiomas coloniais (Inglês e Francês) podem apresentar um grande desafio para o ouvinte. No caso de estações africanas transmitindo em Inglês o sotaque é realmente muito forte ou há até mesmo a presença de variantes dele existente em uma região em particular, tornando a compreensão bastante difícil.

Mas, para contrabalançar a barreira do idioma (e ao mesmo tempo ajudando o Dexista), mais e mais emissoras de ondas tropicais levam ao ar anúncios comerciais. E, uma boa parcela dos produtos anunciados são conhecidos dos consumidores norte americanos.

O maior número de emissoras desta faixa está concentrado em uma região, a América Latina. A maioria é de propriedade de entidades privadas, similar ao panorama da América do Norte. Sua manutenção vem totalmente da rendas dos anúncios. Isso fica bastante evidente quando uma emissora leva ao ar 18 comerciais em sequência!

A cena radiofônica na Ásia e África é um pouco diferente da América Latina. Quase todas as emissoras são de propriedade ou associadas ao governo dos países em que estão instaladas. Muitas delas são financiadas por taxas pagas pelos cidadãos do país ou subsídios dos governos. A radiodifusão comercial é bastante recente. Os melhores países para encontrar campanhas comerciais são: África do Sul, Rodésia, Moçambique, Suazilândia, Quênia, Malawi, Gana e Nigéria.

Na Oceania, todas as emissoras estão ligadas a governos. Embora a Austrália (e agora a Nova Zelândia) possua emissoras comerciais em ondas médias, as ondas curtas são reservadas à agências governamentais. Algumas das melhores emissoras da Oceania pertencem à Australian Broadcasting Commission. Há algumas poucas emissoras que levam ao ar anúncios, notadamente das Ilhas Salomão, Fiji e Nova Caledônia.

Agora que temos uma ideia do que são as ondas tropicais,  é importante falar sobre algumas formas de entrar em contato com as emissoras quando do envio de informes de recepção. Tente usar as diretivas abaixo para cada informe enviado:

  1. Tente enviar os informes no idioma ouvido ou na língua oficial do país da emissora;
  2. Seja mais explícito quando informar os dados da recepção, explicando as condições em palavras.
  3. Tente incluir nomes de músicas, se possível. Caso hajam anúncios, inclua os nomes dos produtos e patrocinadores. No caso de diversas emissoras latino americanas esta é a única forma de determinar se o Dexista ouviu determinada emissora ou não.
  4. Lembre-se que essas emissoras tem como alvo o público local. Muitas delas não têm condições de tratar um grande volume de correspondências de ouvintes do exterior. Ao menos um ou dois cupons de resposta internacionais (IRCs) devem ser incluídos com cada informe. Caso a emissora esteja em localidades muito remotas é recomendável o envio de selos do país de origem ao invés de usar IRCs, pois é bem provável que o correio local não esteja em condições ou mesmo não aceite recebê-los.
  5. Envie alguma lembrança ou cartão postal da sua cidade ou região junto com o informe. É um pequeno gesto de amizade e boa vontade.
  6. Acima de tudo, não exija da emissora uma confirmação. Um QSL é um favor da parte da emissora. Na radiodifusão em ondas tropicais, trata-se mais de um gesto de boa vontade, pois estão confirmando informes os quais nunca solicitaram e que possivelmente não tem utilidade.

Antes de encerrar, gostaria de ressaltar uma regra importante da escuta em ondas tropicais – esta faixa proporciona captações a longa distância sob total ou em condições próximas em caminhos sob escuridão. Então, para a África o final da noite/amanhecer  ou fim de da tarde/anoitecer. Para a Oceania e Ásia o amanhecer é a melhor opção. A América Latina pode ser captada do anoitecer ao alvorecer.

Artigo traduzido mediante autorização. A publicação em qualquer outro meio é expressamente proibida.

Você já conhece o canal Regional DX no Youtube? Vídeos novos publicados nos dias pares do mês. Não deixe de se inscrever, curtir os vídeos, comentar e compartilhar o conteúdo. Visite em youtube.com/regionaldx